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MESA TENDENCIAS; MINHAS TENDENCIAS


O Mesa Tendências 2010, cujo tema foi sustentabilidade, teve uma função interessante na minha vida cafeeira atual: diminuir meu desconforto sobre a impossibilidade de torrar cafés maravilhosos de outros países (não é permitida a entrada de sementes e grãos de outros países pela vigilância).
No Coffee Lab, cuidamos de pequenos detalhes pró-planeta e humanidade, como não usar canudos (feitos de petróleo e embalados com árvores ou petróleo); fazer comprar somente com sacolas ecológicas; comprar grãos apenas de produtores que tratam bem suas matas, águas, pessoas e bichos; não vender água em garrafas de plásticos, somente em jarras.
Sempre fiquei consolando minha frustração de não poder importar grãos fantásticos de países como Honduras ou Quênia com o argumento que devia trabalhar junto ao produtor no desenvolvimento e garimpo de grãos cada vez mais únicos que nosso próprio terroir e um manejo cuidadoso podem oferecer. Certamente acredito nisso e vimos fazendo isso com nossos corajosos parceiros do campo.
Após minha experiência no Mesa Tendências, refleti que o fato de sabermos que somos o maior produtor do mundo, com uma variedade de sabores equivalente à de vários países, pode nos eximir de, sem culpa ou sentimento de negligência à qualidade, buscar grãos fora do Brasil. Dizendo isso, reforço a minha sensação de que nosso jeito de selecionar, torrar, preparar e divulgar o café Especial é Slow Food – nosso café é bom, limpo e justo.

Por que buscar grãos que deverão chegar aqui à custa de muito gasto de combustível e pagamento de impostos cujo destino é misterioso, se podemos usar o ingrediente maravilhoso, próximo de nós? Essa nova percepção deu conforto a minha frustração sensorial de não tomar um lindo Quênia, torrado por nós.
Parabéns à Prazeres da Mesa pelo evento, aos bravos produtores que insistem em fazer a coisa certa a despeito da quase insustentabilidade disso e aos consumidores que valorizam esses esforços.

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1 comentários

  • Mas a indústria nacional não está, sequer, atendendo às novas demandas do mercado interno, que assim se abre para aumentar as importações vistas pelo governo como instrumento para evitar desabastecimento e pressão inflacionária, e, ainda como estabilizador de preços. Somos, hoje, exportadores de alimentos, carne, grãos e minérios (cujos valores, aliás, estão em queda) por sinal, quase sempre sem nenhum valor agregado e à mercê de progressivas políticas protecionistas dos importadores, variantes desde taxas abusivas a restrições sanitárias. Em 1980, o setor de bens de capital (termômetro do crescimento econômico) representou algo como 20% da produção da indústria de transformação, mas em 2009 essa cifra já havia caído para 10%. O que nos salva são as exportações para o Mercosul, notadamente Argentina (o comércio bilateral alcançou 40 bilhões de dólares com crescimento de 35% das exportações brasileiras) e Venezuela, para quem exportamos predominantemente manufaturados (65% do total).

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